sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

SALÁRIO DO OBREIRO

Tem sido matéria sensível, em algumas instituições religiosas, o trato das finanças, sobremaneira quando se fala sobre o rendimento dos ministros religiosos. E esta situação tornou-se sensível por culpa, única e exclusiva destes próprios ministros, que sem qualquer fundamento razoável, tratam do assunto às escondidas, levando desconfiança aos irmãos, e gerando escândalo, na medida em que trata-se como sigiloso, algo que não tem este caráter. O salário do Ministro, não é um direito exclusivo do religioso, mas sobretudo, é uma obrigação da Igreja, dos irmãos em fazê-lo, de forma justa e em coerência com os recursos da entidade, de maneira a não comprometê-los de forma prejudicial.

Ao se estabelecer o quantun devido ao seu obreiro faça a Igreja uma composição de rendimento que incorpore os ganhos necessários a permitir-lhe o sustento de forma digna. Conforme a sua capacidade financeira, pode assegurar uma gratificação natalina, férias anuais, gratificação de férias, e eventuais outras vantagens. Por outro lado, em não havendo lastro financeiro, não deve a Igreja comprometer o seu patrimônio e a economia dos fiéis dizimistas e ofertantes. O que for definido deverá sempre estar lastreado em documentação suporte adequada.

Qual o salário do obreiro indargar-se-ia? Vários são os elementos que nos ajudariam de alguma forma delimitar o valor do rendimento do obreiro, o que se por um lado nos daria robustez para a sua definição, por outro lado, em oposta direção, poderia nos levar a dúvidas muitas vezes insanáveis.

Penso, todavia, que a vida financeira do Pastor deve refletir necessariamente o padrão financeiro médio dos membros da sua Igreja. Não se pode compreender a existência de pastores ricos com patrimônio cuja origem tenha sido os cofres de uma igreja pobre, uma igreja formada por irmãos(ães) que não possuem sobras financeiras, e que , muitas vezes, passam por prolongados períodos de falta de recursos, até mesmo o mínimo necessário para comer. Salta aos olhos que esta circunstância é, e será sempre, reprovável por todos; e quando e se ocorrer, deve ser objeto de repulsa dos membros que devem valer-se,se necessário for, e em instância final, até mesmo da lei, para afastar todos os que assim agiram, no sentido de perpetrar tal malignidade.

O Pastor, não somente, mas toda a Igreja deve ser formada por homens e mulheres honestos, não admitindo a existência de relações injustas, mesquinhas e não éticas, via de regra, em benefício de alguns não salvos, porém em detrimento da maioria santa que compõe a comunidade dos crentes.

Riquezas formadas em tais circunstâncias estão destinadas a putrefarem-se mediante a tenebrosa proliferação ferrugem espiritual a que certamente se submetem tais gananciosos, que segundo o apóstolo Tiago vaticina, entesouram para os últimos dias, com a certeza de garantir espaço no lago de fogo e enxofre, pois a riqueza “devorará as vossas carnes como fogo” (Tg.5:13).

Creio que a Bíblia nos permite quantificar o rendimento dos obreiros, a partir de certos princípios morais, conforme as citações a seguir descritas:

Vede! O salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos, e que por vós foi retido com fraude, está clamando. Os clamores dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor Todo-poderoso.(Tg. 5:4)

A Bíblia nos impede de agir de forma mesquinha, injusta, e reprova o sentimento universal que se observa dentre os ricos de, via de regra, não atribuir o justo valor ao salário de seu trabalhador. Não é bíblico o clima de conflito e confronto de patrão e empregado, pois cabe ao empregador bem remunerar ao seu obreiro. Na lei judaica sequer o pagamento do rendimento do trabalhador poderia ser atrasado, deveria ser pago no dia de sua efetiva competência. Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até pela manhã (Lev. 19:13).

É inconcebível que o trabalhador após intenso labor, suor, dor, preocupações as mais diversas, não só as impostas pela vida em geral, mas aquelas geradas especificamente pela prática do próprio ofício venha ao final, ser enganado pelo seu patrão, que não honra, com altivez, a sua parte na relação mediante o pagamento de um justo salário.

Importante é o magistério de Ambrósio de Milão, bispo de Milão no século IV, quando afirmou que, “Deus ordenou que todas as coisas fossem produzidas, de modo que houvesse comida em comum para todos, e que a terra fosse a herança comum de todos. Por isso a natureza produziu um direito comum a todos; mas a avareza fez disso um direito de alguns poucos.”
O profeta Jeremias, inspirado pelo Espírito Santo determinou: “Ai daquele que edifica a sua casa com iniqüidade, e os seus aposentos com injustiça; que se serve do trabalho do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário (Jr. 22:13).

Eis aqui um primeiro critério determinante que elencaríamos dentre os princípios reguladores da definição do rendimento do ministro eclesiástico.

Não terás dois pesos na tua bolsa, um grande e um pequeno (Dt 25:13).

Neste momento identificamos o legislador mosaico definindo a necessidade de pesos e medidas justos nas relações negociais. Deus não se agrada do enganador, do ludibriador, daquele que carrega pesos forjados na desfaçatez do erro, aferidos na insensatez da falsidade. Pesos diferenciados, e dessa forma, utilizados para enriquecimento ilícito.

Em todo o negócio nossas medidas devem ser justas, incontestáveis e garante-nos o Senhor dos céus, prolongados serão os dias do honesto na terra. É mais importante vida longa e abençoada, do que toda a riqueza indignamente forjada, pois certo será, estará associada a uma vida enferma e curta. Deus honra aos negociantes honestos!

Honestidade em seus negócios princípio de Deus para a vida do crente!

Como a perdiz que choca ovos que não pôs, assim é aquele que ajunta riquezas, mas não retamente. Na metade de seus dias elas o deixarão, e no seu fim ele se mostrará insensato. (Jr. 17:11)

É clara a afirmação bíblica que aquele que forma patrimônio desonestamente, a semelhança da perdiz que choca ovos que não pôs, terá um triste final. Imaginem ovos de pato chocados por uma perdiz; nascido os filhotes, ao passar o pequeno grupo a beira do lago, logo adentrarão para seu mais natural passeio, abandonando-a. As aves devem buscar aves da mesma espécie, pois seus filhotes deixarão a falsa mãe. De forma semelhante ocorrerá com o falso rico, certamente dará contas do que tomou sem lhe pertencer, suas riquezas o deixarão.

O amor ao dinheiro leva à práticas que afastam o homem de Deus, assegurando ao ganancioso uma vida de dores, em conformidade com a advertência paulina: “Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. ( I Tm. 6:10)”.

Conformidade com o que é direito, princípio de Deus para a formação do patrimônio cristão.

Chegar-me-ei a vós para juízo, e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros e contra os adúlteros, e contra os que juram falsamente, e contra os que defraudam o trabalhador, e pervertem o direito da viúva, e do órfão, e do estrangeiro, e não me temem, diz o Senhor dos Exércitos (Ml 3:5)

Este texto bíblico é rico ao equalizar todos como injustos perante o Deus Vivo, não somente os mentirosos, adúlteros, os feiticeiros, mas também, da mesma forma, os ricos lastreados em patrimônio cujo conteúdo é viciado, forjado em escusas falcatruas, alimentado nas fétidas sombras do engano, avolumado no infecto sentimento da usurpação, resultado da usura esganadora sobre a vida do mais pobre, do órfão, do estrangeiro, da parte hipossuficiente.

Tratar dignamente o hipossuficiente, princípio de Deus na convivência cristã, sobremaneira, nos negócios dos fiéis.

Não cometereis injustiça nos julgamentos, nas medidas de comprimento, de peso ou de capacidade (Lv. 19:35)

Reitera a Palavra Divina na recomendação da necessidade compulsória de agir com justiça nos negócios. Salomão ao tratar deste assunto nos ensina que a balança enganosa é abominação para o Senhor, todavia o peso justo é o seu prazer.

A essência dos negócios do crente é virtuosa, é correta, é exata, exala decência e equilíbrio, e modelo de dignidade para o mundo. Não o sendo para nada presta, senão para a condenação eterna.

Dignidade no decidir seus negócios, princípio de Deus para a prática cristã.

Eu certamente baterei as mãos contra o lucro desonesto que ganhaste, e contra o sangue que derramaste no meio de ti (Ez. 22:13)

Neste trecho bíblico percebe-se que o Senhor dos Exércitos é o justo general que não permitirá a permanência da arrogância, a vitória do que é espúrio, bastardo, amealhado no lodo da maldade. O que aqui o homem plantar em momento futuro haverá de colher os seus frutos, se boas sementes, abençoadas colheitas, todavia se maus as sementeiras certamente pragas terríveis o ceifará. Paulo ensinando aos gálatas, de forma peremptória o faz, quando ressalta que: “Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer. Tudo o que o homem semear, isto também ceifará. O que semeia em carne, da carne ceifará a corrupção; o que semeia no Espírito; do Espírito ceifará a vida eterna (Gl.6:7)”.

Estabeleça contratos sabendo que são sementes, princípio de Deus para o crente bem sucedido.

Considerando estas determinações configuradoras dos pactos entre os cristãos, certamente que o assunto, por muitos considerados crítico, tornar-se-á um assunto de deleite e prazer, pois estará ancorado numa relação de amor cristão, de identidade de princípios, de similaridade conceitual, e envolto pela atmosfera do Espírito Santo.

A melhor remuneração do obreiro, portanto, tem como lastro a justiça, a honestidade, a diligência, a sensibilidade santa, e que enfim a milita a favor do crente de forma a possibilitar que venha a gozar da confiança do Deus dos céus e da terra.

Aprendamos que a prosperidade do crente reside em herdar as mansões celestiais onde nem traça, nem a ferrugem consomem, sequer ladrões lá terão acesso, riqueza que não terá fim. De beleza tão inefável que Paulo não encontrou palavras que expressassem tamanha beleza. “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”(1 Co 2.9).

1 comentários:

Faculdade Evangélica SP disse...

Parabéns pelo seu Blog, ele é excelente e de grande ajuda a todos nós que desfrutamos de tudo que você tem postado.

Paz!
faculdade evangelica