Especula-se muito na imprensa sobre os dízimos que são entregues a Igreja, em especial sobre o seu destino, sua obrigatoriedade, e, aparentemente pensam os seus especuladores que isso, de alguma maneira, venha a intimidar a Igreja.
Primeiramente deve-se de pronto ressalvar que a Igreja de que trato aqui é aquela formada e, sobretudo gerida por salvos, homens e mulheres lavados e remidos no sangue do Cordeiro.
Destarte, excetuam-se desta nossa pequena análise, os movimentos que se querem religiosos, liderados por pseudos crentes, pseudos pastores, pseudos bispos, etc. ... Estes são formadores de pequenos grupos ignaros, que conscientes da possibilidade de desenvolver bons negócios inventam o que chamo de pseudo igreja. Pseudo Igrejas não são igrejas, ao contrário são verdadeiras aberrações que afrontam a Palavra de Deus (nossa regra maior), bem como a legislação pátria sobremaneira, ao fazer tábula raza ao princípio constitucional da liberdade religiosa, pois que a liberdade de expressão, jamais pode ser associada a vergonhosos arremedos que se apresentam como manifestação de religião ou de qualquer credo. São atores de uma façanha macabra, fazedores de dinheiro fácil, retirado do bolso de pessoas simples, humildes e crédulas. Lamentavelmente que se multiplicam no meio do nosso povo, por completa inoperância da autoridade constituída que pela omissão no devido exercício do poder de polícia (poder-dever), por antecipação garante a estes charlatães certificado de impunidade.
Quando tratamos de líderes que estão religiosos, porém verdadeiramente não o são, deve-se sempre ter em mente, sem sombra de dúvidas, que estamos diante de atividade ilícita por estes especificamente praticadas. Tal ilicitude é cediça, seja sob a ética cristã, seja sob o senso ético que permeia nosso direito positivo. Destarte, tais sujeitos devem ser objeto de desconfiança de todos nós, bem como crivo de profícua investigação das autoridades públicas, no seu efetivo exercício de poder de polícia, resguardando o cidadão sobremaneira aquele que é religioso.
Isto posto, considerada a exceção aqui firmada, deve-se de pronto rechaçar procedimentos semelhantes ao que recentemente verificamos na imprensa onde uma autoridade judicial requisita depoimento do jogador Kaká por dar dízimos a Igreja Renascer. Quer nos parecer tal solicitação se caracteriza afronta à liberdade de expressão assegurada a todo o cidadão brasileiro, pois ao se falar de dízimos, não se resume a falar de dinheiro, mas de convicção religiosa tal, que leva o cidadão a ser contribuinte em sua congregação de fé. Se os líderes desta Igreja possuem problemas com a Justiça por eventualmente praticarem ilicitudes tributárias ou atos de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, etc. (segundo se publica na imprensa nacional e internacional); estes problemas se reduzem a eles, jamais se estenderão aos fiéis, sejam cidadãos desconhecidos das multidões, sejam aqueles por elas idolatrados, face as suas habilidades pessoais que as tornam geniais.
Demais disto, via de regra, nas instituições religiosas os membros, isto é, os associados, não respondem pelas obrigações sociais, ainda que subsidiariamente. Trata-se de um cuidado que se tem quando da elaboração dos estatutos, a indicação de que os membros não respondem pelas obrigações sociais, o que significa que explicações sobre o destino das receitas devem ser dadas pelos administradores da instituição.
O destino dos dízimos é fazer face aos custos operacionais da Igreja, que se traduzem no sustento da atividade religiosa e toda a sua derivação. A Igreja, por sua natureza ética, não possui despesas sem comprovação, não realiza gastos supérfluos, e mesmos as suas doações, ajudas às viúvas, órfãos, encarcerados, doentes e vitimados de toda a sorte, sempre estão respaldadas em decisões previamente tomadas pelos seus órgãos de governo, bem como administrativos e financeiros.
Demais disto, todos os atos e fatos administrativos e financeiros com impacto econômico, são objeto de registros contábeis adequadamente escriturados segundo os fundamentos, princípios e práticas contábeis geralmente aceitas, à disposição das autoridades sempre que necessário for ao esclarecimento legal pertinente.
Sob o aspecto teológico, os dízimos e as ofertas são contribuições dadas pelos fiéis a Igreja, tendo como fundamento o amor, sobretudo em gratidão a Deus, por tudo que Deus é e faz pelo bem do crente. O crente fiel é naturalmente generoso e liberal, e sabe de sua responsabilidade como fiel de colaborar (financeiramente, porém não só desta forma) com a Igreja, pois esta é o veículo que aglutina recursos para de forma eficiente aplicá-los na atenuação dos sofrimentos do ser humano, sejam eles pertencentes ou não ao grupo dos fiéis. Ademais, em que pese a intensa atividade da Igreja no socorro aos mais pobres, sobretudo pela omissão do Estado no cumprimento de sua essencial missão, razão de mesmo de sua existência, as Igrejas não recebem recursos públicos. Os Estados, em sua grande maioria são laicos, dentre eles o Brasil, o que na maior das vezes impede qualquer Igreja receber recursos de fontes estatais.
O dízimo de forma mais específica é um referencial de valor, que se traduz pela décima parte das rendas do fiel. Não se trata de uma criação da Igreja, pois a ela antecede, e por remotos séculos. Na história do povo hebreu, identificamos que Abraão, o primeiro dos judeus, dos despojos de uma guerra separou o dízimo para entregá-los ao sacerdote Melquisedeque, um sacerdote-rei símbolo do sacerdócio de Cristo.
18) Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; pois era sacerdote do Deus Altíssimo; 19) e abençoou a Abrão, dizendo: bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra! 20) E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos! E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo (Gn. 14:18-20).
Esta prática incorporou-se na tradição levítica quando encontramos os dízimos das colheitas, dos animais dos rebanhos, das frutas.
30) Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem ao senhor; santos são ao Senhor. 31) Se alguém quiser remir uma parte dos seus dízimos, acrescentar-lhe-á a quinta parte. 32) Quanto a todo dízimo do gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo da vara, esse dízimo será santo ao Senhor (Lv. 27:30-32).
O Novo Testamento nos dá conhecimento da prática dos dízimos das lavouras de hortaliças.
42 Mas ai de vós, fariseus! porque dais o dízimo da hortelã, e da arruda, e de toda hortaliça, e desprezais a justiça e o amor de Deus. Ora, estas coisas importava fazer, sem deixar aquelas (Lc. 11:42).
Destarte, os dízimos eram e são referenciais para fins de arrecadação de recursos cuja destinação é o sustento da Igreja e do povo, dos integrantes necessitados da sociedade. Veja que embora muito importantes tanto para o sustento seja da Igreja quanto dos demais necessitados, de nada prestam se não estiverem fundamentados no amor e gratidão a Deus. Jesus manifesta-se dessa forma peremptória no trecho aqui citado, quando censura os fariseus que se julgavam excelentes por serem dizimistas; agrada a Deus não os dízimos mas a essência que o dá substância, qual seja , a prática da justiça e a superabundância do amor, o dízimo como ato de generosidade.
7) Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, nem por constrangimento; porque Deus ama ao que dá com alegria. 8) E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda boa obra; 9) conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre. 10) Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, e pão para comer, também dará e multiplicará a vossa sementeira, e aumentará os frutos da vossa justiça. 11) enquanto em tudo enriqueceis para toda a liberalidade, a qual por nós reverte em ações de graças a Deus. 12) Porque a ministração deste serviço não só supre as necessidades dos santos, mas também transborda em muitas ações de graças a Deus (II Co 9: 7-12).
Só a oferta caridosa resultará em bençãos divinas. E esta oferta é originária do amor, portanto, o ato de ofertar não é, por si só, garantia de riquezas (como apregoam uns tantos) e sequer garantia de salvação, (como outros assim alardeiam). Advertimos que a Salvação só é alcançada pela graça redentora por meio da fé, simples e pura, em Jesus Cristo.
Se não for única e exclusivamente fundada em amor, Deus não tem compromisso de retribuir, nada ao homem. Ao contrário é pelo próprio Deus advertido em não dar, pois se o faz, pecado pratica.
Este é o fundamento e o verdadeiro destino dos dízimos e das ofertas praticados pelas Igrejas e pelos lavados e remidos no Sangue do Cordeiro.
Não negamos, todavia, que alguns se valham dos púlpitos, tablados, altares e outros locais para apresentarem um pseudo evangelho da salvação pela contrapartida de uma porção de dinheiro. Para estes, a vida cristã, é semelhante à vida mundana, não se faz necessário o arrependimento dos pecados e sequer aceitam a necessária transformação da vida, sob o poder transformador de Deus. Tais líderes, que a Bíblica os nomeia de falsos mestres, dentre outros qualificativos depreciativos, na verdade vivem em desavergonhada busca da lã das ovelhas através de coerção pela entrega de bens e dinheiro do povo; e por isso, malditos junto ao Pai Celestial.
São vendedores da vitória financeira, do melhor status, de uma vida material farta. Afastaram-se de Cristo que é espiritual, para almejarem excessos de bens materiais. E o fazem muito bem, pois estes a cada dia demonstram espetaculares indícios de volumosa riqueza, enquanto os seus fiéis em imensidade numérica, chegam aos templos destes gurus da riqueza, famintos, descalços, tristes, endividados e lamentavelmente incapacitados de observarem que de sua infelicidade e miséria estes malfeitores fazem fortunas pessoais.A vitória, da Igreja, não é outra senão a libertação do pecado, livre da natureza do pecado (justificação), livre do poder do pecado (santificação progressiva) e, por fim livre do corpo do pecado (glorificação). A vitória da Igreja é ultrapassar a natureza pecaminosa da carne, e capacitarmo-nos em ouvir o toque da última trombeta e encontrar o Senhor nos ares no dia do arrebatamento.
A vitória da Igreja é a eternidade com Deus, jamais alguns momentos de fartura num curto instante da vida, como tem sido apregoado nos dias modernos. E para tanto, é necessário ser nascido de Deus , isto é, nascido de novo, nascido da água e do Espírito .
3) Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. 4) Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? 5) Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.(Jo.3:3-5).
Vitoriosos são aqueles alcançados pela misericórdia de Deus, que através de Seu poder são elevados ao bendito status de filhos de Deus. Benção exclusiva para os que crerem no bendito nome de Jesus.
Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; (Jo. 1:12).
Vitória nos ensina o Apóstolo Paulo, é a capacidade de combater o bom combate até concluir a carreira, guardando durante toda esta jornada a indispensável fé em Jesus Cristo, e isto é possível para todos, necessário se faz amar a vinda do Senhor.
7) Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. 8) Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda (II Tm.4:8).
Portanto, ao se ver líderes que se querem ministros eclesiásticos, ostentado riquezas, tais como mansões, carros sofisticados, viagens esplendorosas, gastos pessoais incomuns aos seus companheiros na fé, vidas verdadeiramente nababescas, evidência de luxo e muito pouco suor; tenhamos cuidado. Verdadeiramente não são dos nossos, estão em nosso meio, porém não são nossos. Nós somos altruístas, estes egoístas. Nós somos crentes, estes incrédulos. Nós trigo, estes joios. Nós salvos, estes verdadeiramente já condenados ao fogo eterno como retribuição de suas façanhas e ignomínia.
Que a benção do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo esteja sempre presente na vida dos que amam a Deus!
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
A RESPEITO DOS DÍZIMOS
Assinar:
Postar comentários (Atom)

4 comentários:
Concordo plenamente com o pagamento dos dízimos. Sei que a igreja não tem auxílio do estado e depende desta receita para sua sobrevivência. Infelismente o temos visto é uma distorção de interpretação por partes de muitos pastores da própria Assembléia de Deus que interpretam Malaquias 3:10 como " Trazei os dízimos a casa do pastor..." Homens que tem sido dominado pela ganância, tomando posse de todos os recursos da igreja e deixando a obra do Senhor em total abandono. O mercenarismo tem sido uma praga no meio do povo de Deus.
Temos que orar, peddindo a Deus que levante homens segundo o seu coração. em muitas cidades no interior do estado do Ceará temos visto as igrejas acabando-se em virtude desse mal que tem se alastrado em nosso meio.
Saudações fraterna caro colega.
Gostaria q o irmão, se possível, por meio de uma exegese neotestamentária adequada, demonstrasse q a entrega dos dízimos foi normatizada pelos apóstolos.
Isso é importante pra q se evidencie por onde anda de fato os q são ignaros.
Caro irmão, a paz do Senhor. Ao visitar seu site encontrei uma riqueza de conhecimento, e quero agradecer a Deus por sua vida e ministério. Tomei a liberdade de salvar em meu blog os endereços de blogs como o seu, de Geremias do Couto, Silas Daniel e outros escritores da CPAD. Somente pelo motivo em querer aprender com servos de Deus como vocês. Fiquem na Paz.
Muito bom o blog, realmente muito instruitivo, vou passar o endereço adiante.
faculdade evangelica
Postar um comentário